BBenevente

DOCUMENTAÇÃO PÚBLICA

Como isso é feito, o que foi tentado e o que falhou.

Esta página descreve de onde vêm os dados, como a cesta anual é escolhida e como o módulo de proteção reduz o risco durante o ano. Não é oferta de investimento nem promessa de desempenho.

Princípio centralNenhuma decisão pode usar informação que não existia na data em que foi tomada. Todo o resto do método é consequência disso.

1 · A base de dados

1.1 O universo de registro é a bolsa

O painel de preços é construído a partir do arquivo histórico de cotações da própria B3, não de um provedor. A razão é mensurável: um provedor público de preço ajustado serve as empresas que ainda existem, então montar o universo a partir dele apaga toda companhia deslistada, adquirida ou liquidada. No painel atual isso seriam 166 de 514 emissores, dos quais 77 desaparecem antes de 2020 e 58 já haviam perdido mais de 60% do próprio topo quando pararam de negociar. São exatamente os piores retornos da amostra.

O painel cobre 4.066 pregões, de 04/01/2010 a 30/12/2025. A data inicial não é arbitrária: cada decisão anual exige 253 sessões anteriores de retorno, e 2011 teve apenas 249 pregões. Sem baixar 2010, a primeira decisão possível ficaria presa em 2015 em vez de 2012.

1.2 Eventos societários: o que já foi recuperado e o que falta

A página atual da B3 respondeu para 475 das 497 séries consultadas. Depois de excluir eventos anteriores ao intervalo realmente observado de cada código, o arquivo contém 9.772 registros, 127 subscrições e 153 eventos manuais. Vinte e dois códigos, em sua maioria antigos ou deslistados, não foram devolvidos. Uma resposta do endpoint registra que a consulta foi feita. Não certifica que todo o histórico foi devolvido.

A prova foi feita sobre a própria estratégia. Das 56 observações ativo-ano mantidas, 54 puderam ser reconstruídas com fechamento bruto e o arquivo atual da B3. Sete diferiram do retorno ajustado publicado em mais de cinco pontos percentuais e duas observações de MRFG3 ficaram sem resposta. Nenhum evento manual coincidiu com uma posição aberta. O resultado bloqueia, em vez de conceder, o selo institucional: o painel continua pesquisa reproduzível até existir um livro histórico primário ou licenciado capaz de reproduzir cada retorno.

1.3 Fundamentos com data de recebimento

Vêm dos formulários ITR e DFP da CVM. A data de recebimento pelo regulador é usada como porta: um documento só entra na decisão de janeiro do ano t se foi recebido antes daquela data. A série de doze meses é montada como anual mais o acumulado do ano corrente menos o acumulado comparativo, usando apenas a coluna acumulada. O ITR também publica o trimestre isolado, e misturar as duas corrompe todo indicador a partir do segundo trimestre.

A ponte entre o ticker da B3 e o CNPJ da CVM é construída ano a ano e sua cobertura é publicada em vez de suposta. Em 2012, primeiro ano da série, 266 de 314 ações tiveram ponte aceita e 171 tiveram fundamentos completos, porque a série do ITR começa em 2011 e 2012 é o primeiro ano em que a construção de doze meses tem os dois lados.

2 · Como a decisão é tomada

  1. Política. Teto de renda variável, teto por emissor, número mínimo de posições e penalização de giro são versionados antes da seleção.
  2. Elegibilidade. Empresas não financeiras passam por liquidez, geração de caixa, retorno sobre capital, dívida e cobertura de juros. Instituições financeiras usam liquidez, rentabilidade e preço sobre patrimônio, porque as demonstrações padronizadas das duas não são comparáveis. Cada reprovação é registrada com o motivo.
  3. Ordenação. Os aprovados são ordenados por um composto de qualidade, valor e momento de médio prazo, tudo calculado com informação disponível na data.
  4. Alocação. Uma otimização convexa distribui os pesos dentro dos tetos. O residual fica em CDI.
  5. Revisão humana. A saída é uma proposta com política, tela, pesos, ordens com lote e participação no volume, e custo estimado. Nenhuma ordem é transmitida.

A carteira é comprada no primeiro pregão de janeiro e mantida. Isso precisa ser dito porque a forma natural de escrever um backtest vetorizado, compondo o produto interno de retornos e pesos, rebalanceia para pesos fixos todo dia e de graça, o que não é o protocolo avaliado nem algo que alguém consiga executar.

2.1 Referências de desempenho

As referências são calculadas nas mesmas datas da carteira e não exercem o mesmo papel. O CDI mede o custo de oportunidade do caixa. O MVO é uma otimização independente sobre o universo elegível de cada janeiro. O Ibovespa é o índice de retorno total da B3 e incorpora os proventos reinvestidos na carteira teórica.

3 · Custos e imposto

Custo é a taxa da B3 mais um termo de deslizamento que cresce com a participação da ordem no volume médio diário do papel. Na seleção anual, o imposto usa 15% sobre ganho realizado em renda variável e a tabela regressiva na parcela em caixa. Para as vendas de renda variável, rebalanceamento anual, reduções e recomposições da camada de proteção e a perna em ETF, uma rotina própria reconstrói o livro diário de cada perfil e apura o imposto como a lei manda: por ativo, ao custo médio de aquisição, consolidado por mês-calendário, com isenção quando as vendas de ações do mês não superam R$ 20 mil, compensação de prejuízos acumulados e ETF sem isenção. Na janela 2015 a 2025, essa apuração custa entre 0,7 e 2,1 pontos percentuais ao ano conforme o perfil, e fica até 10% abaixo da estimativa agregada anterior, porque a agregação ignorava isenção e compensação. O que ainda falta é a conciliação com nota de corretagem, que exige operação real. A rotina e o razão mês a mês estão em artifacts/tax_lot_accounting.

A parcela em caixa da política congelada é um instrumento sintético: 100% do CDI com capitalização diária, da série 12 do Banco Central. O CDI é um índice, e ninguém o compra, não tem custódia, não tem spread de compra e venda, não tem rolagem. Isso levanta uma pergunta que o projeto não podia deixar sem resposta: quanto do resultado publicado dependia de um caixa que não existe?

Foi o que motivou a versão 3 da política, registrada em 26/08/2026. Ela troca uma única coisa em relação à v2, o instrumento de caixa, e nada mais: orçamento por perfil, número de emissores, tetos, fração global e todos os parâmetros da camada de proteção continuam idênticos. O caixa passa a ser Tesouro Selic, reconstruído do arquivo diário do Tesouro Transparente e líquido da custódia da B3 na tabela histórica (0,30% ao ano até 2018, 0,25% até 2021, 0,20% depois) e do spread cobrado em cada uma das onze rolagens. Uma versão que mexesse em várias coisas ao mesmo tempo não permitiria atribuir nada ao que mudou.

Perfilv2: caixa como índicev3: caixa como instrumentoExcesso sobre o caixa
Conservador12,51%12,34%+2,84 → +2,91 pp
Equilibrado15,51%15,39%+5,84 → +5,97 pp
Arrojado19,87%19,79%+10,19 → +10,37 pp

O resultado tem duas leituras e as duas importam. O retorno absoluto cai, de 0,07 a 0,17 ponto conforme quanto caixa o perfil carrega, e é por isso que os números desta página são menores que os da v2. Mas o excesso sobre o caixa sobe, porque a régua é 100% caixa e a carteira só o é entre 25% e 65%: comparar contra o que o cliente de fato consegue comprar é mais favorável do que comparar contra o índice. Trocar uma entrada exigiu nova versão registrada, os números da v2 não foram corrigidos no lugar, e sim substituídos por uma política nova com hash próprio, exatamente como a regra exige.

A troca também tapou um buraco de dado que ninguém tinha notado: a coluna de caixa do painel anterior é plana até 2012, não tem dado. A escada avalia a partir de 2015 e não era afetada, mas a busca aninhada arquivada ordena configurações pelos anos encerrados antes de cada decisão, e 2012 entrava em todas as ordenações com o caixa rendendo zero, penalizando as configurações mais defensivas. Como as duas pontas do experimento de capacidade usaram o mesmo insumo, a comparação entre 36 e 256 candidatos permanece válida. O que não se pode afirmar é que a ordenação de 2015 a 2025 teria sido a mesma com o caixa correto. A série do Tesouro Selic é real desde 2010, então a v3 não carrega o buraco. A rotina e a série estão em tesouro_selic_series.py e tools/build_real_cash_panel.py.

3.1 Catálogo de renda fixa: a ordem que a taxa anunciada esconde

A parcela em caixa da política é um instrumento só, e isso basta para medir a escada. Na prática se escolhe entre dezenas de produtos que não são comparáveis do jeito que são anunciados: um CDB a 118% do CDI paga a tabela regressiva, uma LCI a 94% é isenta, um título público paga custódia, um fundo DI paga taxa e come-cotas. Qual vence depende do prazo, e a taxa da vitrine não responde.

O módulo de catálogo traz todos para a mesma régua, rendimento líquido anualizado no horizonte do próprio papel, depois de imposto, IOF, custódia e taxa, e o resultado inverte a ordem da vitrine com frequência. Numa grade de demonstração a 10,15% de CDI, o CDB anunciado a 118% entrega 101% do CDI depois do imposto, enquanto a LCI anunciada a 94% entrega os mesmos 94%. E uma carteira de caixa bem montada rende cerca de 97% do CDI cheio: o índice que serve de comparador nesta página é bruto, e nenhum investidor o recebe.

A alocação tem três restrições declaradas, nessa ordem. O teto do FGC, R$ 250 mil por conglomerado por CPF, R$ 1 milhão em janela de quatro anos, corta o melhor produto quando o emissor esgota o limite, e dois papéis do mesmo conglomerado dividem um teto só, não dois. Produtos sem cobertura (CRI, CRA, debênture) só entram se o risco de crédito for declarado explicitamente, nunca por omissão. E uma reserva de liquidez impede que o caixa que a camada de proteção precisa movimentar fique preso num papel de dois anos.

Uma observação de enquadramento, registrada porque o catálogo atravessa regimes: CDB, RDB, LC, LCI e LCA são captação bancária, sob CMN e Banco Central, com FGC. Debênture, CRI e CRA são valores mobiliários, sob CVM, sem FGC. Título público é risco soberano. A ordenação por rendimento líquido atravessa os três, a decisão de alocar, não. Por isso a cobertura e o regime viajam com cada produto em vez de ficarem numa nota de rodapé. Nenhuma fonte pública arquiva a grade ofertada por distribuidor: a grade é de quem a recebe, carregada com a data de recebimento, e o sistema ordena e aloca o que recebe. O módulo e os testes estão em fixed_income_catalog.py.

3.2 Esperado × realizado: medir a incerteza em vez de prometer retorno

Existe uma versão desonesta de "rentabilidade esperada" e uma honesta, e elas se parecem. A desonesta projeta um número, este perfil rende 15% ao ano, e o publica ao lado do histórico. É indefensável e seria a primeira coisa usada contra o produto no primeiro ano ruim. A honesta projeta um intervalo e depois mede se ele estava certo.

Em cada janeiro, usando exclusivamente retornos diários anteriores àquele primeiro pregão, uma reamostragem em blocos de vinte pregões produz a distribuição do ano seguinte. Doze meses depois o resultado chega e cai dentro ou fora do intervalo de 80%. Repetido ao longo da janela, isso responde a uma pergunta que um número prometido nunca responde: a incerteza declarada é honesta?

PerfilAnos dentro do intervalo de 80%Viés da mediana
Ultraconservador5 de 8 (62%) · 2019, 2021 na borda−1,61 p.p. ao ano
Conservador7 de 8 (88%) · 2025 na borda−2,20 p.p. ao ano
Equilibrado6 de 8 (75%)−1,93 p.p. ao ano
Arrojado8 de 8 (100%)+0,05 p.p. ao ano

A cobertura fica perto do nominal, dentro do erro padrão de catorze pontos que oito observações permitem, o intervalo não é fantasioso. Mas o achado que importa é o outro: a mediana projetada é cerca de dois pontos otimista nos dois perfis que carregam mais caixa. A razão é estrutural e vale para qualquer projeção construída assim: a reamostragem só conhece o passado, e o passado desta janela tem juro alto. Ela não tinha como saber que o CDI cairia de 14% para 2,8% em 2020, então projetou para frente um caixa que deixou de existir. O perfil arrojado, que quase não tem caixa, não sofre o viés, e em compensação seu intervalo é largo demais, acertando oito de oito onde se esperariam seis ou sete.

É por isso que o número publicado aqui é a calibração, não a previsão. O site continua sem projetar patrimônio futuro em página alguma: o que existe é a medição de quanto a própria regra erra ao tentar, e ela erra na direção que favorece quem vende. A rotina está em research_forecast_calibration.py.

4 · Como a regra foi escolhida

Esta é a parte que a maioria dos backtests erra, e que erramos primeiro. Uma grade de regras candidatas foi avaliada, a melhor foi publicada, e o seu posto passou de 57º no critério de treino declarado para 1º no holdout. Isso só é possível se o holdout foi lido. Nada a jusante daquela escolha era fora da amostra.

A correção seguinte foi um protocolo aninhado. Para a decisão do ano t, as 36 configurações eram ordenadas usando somente os anos já encerrados antes de t, por Sharpe do excesso sobre o CDI. O ano t era então avaliado uma vez. Trocar de configuração era cobrado como rebalanceamento integral, porque num livro real significa liquidar uma carteira para comprar outra. Junto de qualquer resultado publicava-se o desfecho aninhado, o vencedor da amostra inteira e a diferença entre os dois, o prêmio de retrospectiva, de 0,65 ponto percentual ao ano, que mede o que um concorrente ganharia publicando o vencedor da busca como se fosse obtenível.

Isso resolvia o problema de ler o holdout, mas não o de buscar. Em 2026 a mesma busca foi rodada sobre uma grade ampliada, de 36 para 256 candidatos, com insumos, código e janela idênticos. O resultado inverteu a expectativa: o desfecho aninhado caiu de 15,31% para 12,68% ao ano, e o Sharpe deflacionado caiu de 0,957 para 0,777, abaixo da significância, porque o máximo esperado sob a hipótese nula subiu de 0,375 para 0,746. O seletor passeou pelo ruído: em 2018 escolheu uma configuração de baixa volatilidade que rendeu −7,2% num ano em que o CDI fez 6,4%.

A conclusão é desconfortável e é a razão do desenho atual: com dez observações anuais não se ranqueia 256 candidatos. Ampliar a busca não melhora o sistema, degrada o seletor. Por isso a configuração de cada perfil passou a ser declarada e congelada antes do período, com hash público, em vez de escolhida por procura. A busca aninhada permanece publicada como o experimento que mostrou o próprio limite.

5 · Os dois módulos

O módulo de seleção é a regra anual declarada que define ativos e pesos-base, incluindo a fração da carteira mantida num fundo listado na B3 que segue o S&P 500 em reais. O módulo de proteção acrescenta a camada de risco intranual: conserva a mesma cesta, mas reduz temporariamente a exposição às ações brasileiras quando a queda e a volatilidade do Ibovespa, medidas até o fechamento anterior, atingem estados de alerta. A perna global não é reduzida, ela é mantida justamente por não seguir o Ibovespa.

Desde a política congelada de 2026, cada uma existe em quatro perfis declarados. Os números por perfil estão nas seções de seleção e de proteção, geradas a partir do registro e não digitadas. Nos registros e manuscritos, os dois módulos aparecem como Benevente 1 e Benevente 2. A tabela abaixo resume a troca que a camada representa:

PerfilQueda máxima sem a camadaCom a camadaCusto em retorno
Conservador−16,7%−9,2%0,89 p.p.
Equilibrado−26,5%−17,9%0,86 p.p.
Arrojado−35,6%−28,9%0,45 p.p.

Os parâmetros da camada foram escolhidos observando 2015 a 2018, depois das crises presentes na amostra. A evidência é redução de queda, não alfa adicional: numa janela mais curta a diferença de retorno entre as versões não foi significativa. Um detalhe de medição: no livro completo o Sharpe do excesso melhora nos três perfis com a camada. Medida sobre a perna doméstica isolada, ela piora o Sharpe do conservador (0,418→0,338) cortando a queda pela metade, o benefício está na cauda, que o Sharpe não precifica.

Notícias e controle quantitativo são camadas diferentesO teste histórico usa somente preço e volatilidade observados, com atraso de um pregão. O radar atual usa Gemini para resumir e classificar documentos oficiais e notícias a cada 12 horas, mas o alerta vai para revisão humana. Ele não muda pesos e não participa da rentabilidade histórica.

6 · O que foi tentado e não funcionou

Oito hipóteses foram testadas. Aparecem aqui com o mesmo detalhe do resultado positivo, porque um repositório que publica só o que deu certo não se distingue de um material de venda.

6.1 Ampliar a busca de configurações

Como foi testado: a mesma busca aninhada da seção 4, sobre 256 candidatos em vez de 36, variando parcela em ações, número de emissores, fator, teto setorial e seletividade proporcional. Insumos, código e janela idênticos aos da grade original.

Resultado: o desfecho aninhado caiu de 15,31% para 12,68% ao ano e o Sharpe deflacionado de 0,957 para 0,777. Ampliar a busca degrada o seletor, e foi o que motivou declarar a configuração em vez de procurá-la.

6.2 Pesar as posições pelo inverso da volatilidade

Como foi testado: o sleeve de ações dimensionado por peso igual, por inverso da volatilidade de doze meses e pela mistura geométrica dos dois, contra a regra publicada de peso proporcional à confiança do fator. Oito configurações: os três perfis e cinco tamanhos de cesta.

Resultado: a regra publicada venceu em 8 de 8. O inverso da volatilidade comprou 0,95 ponto de queda máxima ao custo de 2,11 pontos de retorno ao ano, e piorou o pior ano justamente na cesta larga, onde deveria ajudar mais. A hipótese foi rejeitada em todas as configurações, e o dimensionamento deixou de ser suposição não testada.

6.3 Dimensionar o risco pela volatilidade observada em janeiro

Como foi testado: uma meta de volatilidade anual reduzindo a exposição em ações na data da decisão, conforme a volatilidade do sleeve até ali.

Resultado: cortou exposição em 5 de 13 anos, sempre depois de um estresse e nunca antes de um, e deixou a pior queda intacta, em janeiro de 2020 o mercado estava calmo, a camada não cortou nada, e a queda de março atingiu o livro cheio. Em 2016 cortou de 35% para 8,8% num ano em que a estratégia rendeu 35%. Custo sem benefício. Foi removida em favor da camada intranual, que reage ao estresse observável.

6.4 Prever o regime do ano

Como foi testado: cinco indicadores disponíveis em janeiro, entre prêmio de lucro sobre o CDI, nível do CDI, retorno e volatilidade do mercado nos doze meses anteriores e distância do topo, foram usados para decidir se o ano seria de ações ou de caixa, ajustados em janela expansível.

Resultado: sobre 8 anos, o melhor preditor acertou 3 de 4 chamadas efetivas, com p de 0,31 contra cara-ou-coroa. O prêmio para quem acertasse todas era de 6,5 pontos percentuais ao ano. Sem sinal, e sem poder estatístico para afirmar o contrário.

6.5 Mudar a proporção entre ações e caixa com mais frequência

Como foi testado: para responder à objeção de poder, a mesma pergunta foi levada a 118 períodos mensais e 521 períodos semanais, com sete regras de alocação contínua em cada frequência, todas pré-declaradas e ajustadas walk-forward. Cada regra paga custo sobre o peso que move e, na variante após imposto, o imposto que o giro força a realizar.

Resultado: nenhuma das sete superou o peso estático de forma significante em nenhuma das duas frequências, e a de média-variância foi significativamente pior. O oráculo, que conhece o futuro, teria feito 72,8% ao ano no mensal e 137,1% no semanal contra 21,1% do estático. O prêmio por acertar o tempo é enorme e nada que testamos o captura.

6.6 Reselecionar a cesta com mais frequência

Como foi testado: pergunta diferente da anterior. Não a proporção, mas a própria cesta, retriada, reordenada e reotimizada. A regra, os limites, o universo e o painel foram mantidos idênticos. Só as datas de decisão mudaram. Para isso o motor ganhou cadência configurável, e a porta de evidência passou a ler o universo datado mais recente até a data da decisão em vez de exigir coincidência exata, que descartava silenciosamente toda decisão fora de janeiro. O caminho anual publicado foi conferido contra o artefato existente e reproduz com diferença zero.

CadênciaDecisõesCAGR brutoApós IRGiro no ano
Anual1118,58%17,09%62,1%
Trimestral4416,37%15,60%116,0%
Mensal13213,92%13,32%177,6%

Resultado: pareando por ano-calendário e já após imposto, a trimestral fica 1,55 ponto abaixo da anual ao ano, com p de 0,376, e a mensal 3,27 pontos abaixo, com p de 0,306. Com onze anos pareados não dá para afirmar que atrapalha. Dá para afirmar que não há evidência de que ajude.

O motivo não é o que se imaginaA perda está no retorno bruto, que cai 4,66 pontos de anual para mensal antes de qualquer dedução. O custo de execução sobe só 0,08 ponto ao ano e o imposto modelado até diminui, porque cada revisão mensal realiza uma fatia menor do livro. Reordenar a cesta todo mês piora a escolha antes de encarecer a operação, porque qualidade, valor e momento se movem em horizonte anual e o giro desfaz posições antes da tese se realizar. Registramos que o modelo tributário subestima a conta do braço mensal, já que cobra imposto sobre o ganho do próprio período e não sobre o ganho acumulado da posição vendida. O viés favorece quem perdeu.

6.7 Manter o que continua bom, em vez de refazer a cesta

Como foi testado: a regra publicada faz um corte duro no ranking. Uma margem de permanência mantém o ativo enquanto ele segue elegível e permanece logo abaixo do corte. Isso aumenta a continuidade sem impedir saídas por deterioração.

Regra de permanênciaCAGRSharpe do excessoRetençãoPapéis de 1 ano
Corte original18,51%0,59736%21
Manter até 1 posição além do corte18,80%0,60642%16
Escolha anual sem olhar o ano avaliado18,61%———

Por que a linha de 18,80% não virou a estratégia principal? Porque ela foi identificada olhando o histórico completo e sua diferença para o corte original não foi significativa (p = 0,138). Promovê-la depois de observar o resultado seria escolher pelo passado. Quando a margem entra na escolha anual sem usar o ano avaliado, o CAGR é 18,61%, apenas 0,10 ponto acima do original. Por isso o Benevente 2 não foi reescrito com essa regra. A evidência útil é menor giro e maior continuidade, não retorno comprovadamente maior.

6.8 Usar um modelo de linguagem como fonte de retorno

Como foi testado: quatro braços sobre 13 anos, mesmo universo elegível. Nomeado, em que o modelo vê os nomes das empresas e devolve um escore limitado que inclina o retorno esperado dentro do otimizador. Anonimizado, idêntico mas com as empresas identificadas apenas por números. Determinístico, controle sem modelo, ordenando pelo escore de fator pré-declarado. Monolítico, o contrafactual em que o modelo devolve pesos direto, sem otimizador e sem restrições.

ComparaçãoDiferença anualp
Nomeado menos anonimizado (sensibilidade à memória temporal)+0,38 p.p.0,905
Anonimizado menos determinístico (valor do modelo)−0,05 p.p.0,989
Anonimizado menos monolítico (valor do desacoplamento)+0,81 p.p.0,777

Resultado: três nulos. A comparação nomeado versus anonimizado é um teste de sensibilidade, não prova de descontaminação. Anonimizar o nome não elimina possível memória histórica do modelo nem transforma 13 anos em amostra independente. O modelo não agregou retorno: reproduziu o ranqueamento determinístico em vez de acrescentar julgamento. Manter o modelo longe dos pesos também não custou desempenho. O braço monolítico devolveu carteiras que não somavam um em 5 dos 13 anos, variando de 0,92 a 1,017, e omitiu 65 e 83 ativos elegíveis em 2021 e 2022. O otimizador garante uma alocação aritmeticamente válida sem precisar de conserto. O modelo se justifica por organizar e explicar decisões, não por gerá-las.

6.9 Avaliar a explicação como explicação

Retorno da carteira não mede qualidade textual. A camada de linguagem recebe fatos já aprovados e é avaliada separadamente por fidelidade às fontes, completude dos fatores relevantes, cobertura de riscos materiais e ausência de números inventados. Qualquer número sem referência reprova a saída. Essas métricas têm protocolo definido, mas ainda não possuem amostra prospectiva suficiente para uma conclusão.

7 · Como é rodado

Cada etapa é um programa próprio, com entradas e saídas em arquivo, e cada saída carrega o SHA-256 do arquivo que a gerou. A ordem é: construir o universo datado da B3, construir a ponte B3/CVM, extrair os fundamentos com data de recebimento, montar o painel de retorno total com detecção de eventos societários, montar as referências de mercado, acrescentar a perna global ao painel, rodar a escada declarada de cada perfil sob a política congelada, e gerar a evidência de auditoria e o pacote do site. A busca aninhada continua reexecutável como o experimento que a encerrou, mas não produz mais a série publicada.

O registro pré-especificado é emitido no fim, carrega o hash de cada entrada e da própria configuração, e é versionado no repositório para que a data fique carimbada por terceiro. Um registro que exista só no disco de quem o escreveu não demonstra anterioridade nenhuma. Um portão de segurança estático e ao vivo roda antes e depois de cada publicação, e sai com código diferente de zero quando algo regride.

O repositório publica código, configurações, artefatos de avaliação e hashes necessários à reprodução acadêmica. O site resume a lógica sem expor o código na interface, enquanto o repositório permanece como fonte técnica verificável.

8 · Limitações

Nenhuma reamostragem de 2015 a 2025 elimina simultaneamente a amostra pequena de decisões, a cobertura incompleta de eventos societários e a possível memória histórica dos modelos de linguagem. O registro de 16/08/2026 é a fronteira temporal verificável a partir da qual novas afirmações sobre a camada de linguagem poderão ser avaliadas.

Os artefatos de reprodução, código, manifestos SHA-256, séries intermediárias e testes, vivem no repositório github.com/diegogallina1/benevente. O repositório é público. Acesso para auditoria pode ser solicitado, e os hashes publicados nesta página permitem conferir qualquer artefato entregue.

Os retornos exibidos são retrospectivos, incorporam custos modelados e dados parcialmente imputados, e não constituem recomendação, promessa de rentabilidade nem evidência de superioridade futura.

Contato: [email protected]